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segunda-feira, 2 de maio de 2011

50% dos jovens, ainda desconhecem uso do preservativo



Por Eduardo Quive
 
“Geralmente olha-se para as zonas rurais e se esquece que mesmo na cidade há jovens que não se informam acerca das doenças sexualmente transmissíveis e da sua prevenção”. Disse Viriato Cuco, coordenador do projecto Hope Maputo do Centro Esperança.

A problemática das Infecções de Transmissão Sexual (ITS) e da propagação do Vírus de Imunodeficiência Humana (HIV) não pára de ganhar espaço entre os jovens em Moçambique.
É facto que, também a força para a disseminação de mensagens, disponibilização de medicamentos e aconselhamentos continua a dominar, mas mesmo assim, os esforços realizados não dignificam suficientemente os protagonistas.
Concorrem para a propagação do HIV/SIDA, a ignorância da mensagem transmitida contra a epidemia, ao mesmo tempo que se assume que, a juventude tem tido acções de pouca responsabilidade sobre o assunto.
De acordo com Viriato Cuco, coordenador do projecto Hope Maputo, do Centro Esperança da ADPP na Machava, aqueles serviços amigos de adolescentes e jovens, tem desenvolvido várias actividades no âmbito da saúde sexual e reprodutiva, com vista a estancar o mal, mas percebe-se no entanto que, o maior problema é a difusão de informação sobre as ITS. Nestes últimos anos, ficou se com a ideia de que as cidades já estavam informadas sobre o assunto e apenas nas zonas rurais faltava a consistência, facto que não constitui verdade.
“A nossa estratégia de trabalho tem ajudado muito nestas campanhas, porque estando a trabalhar ao domicilio obriga-nos a andar por cada casa, não é com o satélite ou o telemóvel que a gente precisava mobilizar a comunidade para um certo local e fazer o aconselhamento e testagem.

Ao mesmo tempo temos estado a pensar mais na modalidade domiciliária, pois achámos mais fácil encontrar o visado em sua residência. Lá conversámos. O conselheiro fala de todas doenças existentes, ainda sobre as contradições e especulações que rodeiam esta abordagem, daí que, acabam aceitando”. Relatou Viriato.

O nosso entrevistado, falou das visitas que os jovens têm feito ao Gabinete de Aconselhamento e Testagem Voluntária (GATV), neste caso, referindo-se ao Centro Esperança da ADPP da Machava, pelo que ficámos a saber que a afluência é razoável.
“Por dia atendemos cerca de 15 jovens. Número que consideramos razoável, mas que é superado quando fazemos as brigadas móveis”.
“Neste momento para além de Matola e Boane, onde já estamos há cerca de nove anos, estamos a trabalhar nos distritos de Moamba e Manhiça onde temos três e quatro conselheiros para cada distrito. Em Boane na unidade sanitária de Matola Rio temos um conselheiro e no centro ficam quatro de acordo com as regras da casa”.
Segundo Viriato Cuco, o projecto Hope Maputo, efectuou um estudo direccionado aos jovens e adolescentes, com o fim de auferir a capacidade de conhecimento que este grupo tem sobre a saúde sexual e reprodutiva.
Pelos resultados do estudo feito na cidade da Matola e Boane, apercebeu-se que 50% dos jovens, não tinham informação suficiente sobre os serviços amigos de adolescentes e jovens e saúde sexual e reprodutiva, principalmente do assunto do preservativo.
“Temos cerca de 50% de jovens não informados e principalmente no que se refere ao uso do preservativo e das formas de transmissão das ITS´s. Os tais tiveram muitas dificuldades de responder as questões colocadas e apercebemo-nos que por mais que estejam perto das vias de comunicações eles não tem acesso a essa informação, sendo assim, há mais esforços por envidar nesse sentido”, concluiu.
Refira-se que dados do projecto Hope Maputo, apontam ainda que nos três distritos apontados existem cerca de 700 positivos dos quais 330 são de Boane, 200 de Moamba e mais de uma centena do distrito de Manhiça.
Ainda noutra perspectiva, o projecto Hope Maputo, tem trabalhado com, crianças órfãs projecto garantido com apoio da empresa, Exprivia da Itália, que anualmente tem canalizado fundos de apoio à crianças órfãs da Matola, concretamente na zona de Bunhiça, num número total de 50 crianças, em Boane -50 crianças e Mavoco e Xinonanquila.
“Estamos a trabalhar com essas crianças apoiando em material escolar, uniformes, cestas básicas e outros bens, tudo isso porque sabemos que algumas crianças não tem condições suficientes para poder sobreviver. Igualmente estamos a trabalhar no apoio à pessoas vivendo com HIV/SIDA no posto administrativo da Matola Rio através dum projecto denominado PCP prevenção com positivo”. 

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Quatro dias de Presidência Aberta na província de Maputo:Guebuza escalou localidades em situação de estrema pobreza

Por Eduardo Quive - na cobertura da Presidência Aberta na Província de Maputo de 16 a 19 de Abril de 2011

Foram quatro dias de trabalho intenso, em que o Chefe do Estado moçambicano, Armando Guebuza, inteirou-se da real situação das localidades, numa escolha estratégica para chegar mais perto da população. Guebuza, terminou a sua visita presidencial a provincial de Maputo na terça-feira da semana passada, tendo escalado na mesma provincial, as localidades de Chicutso, Nhongonhane, Matsequenha e Siduava, nos distritos de Magude, Marracuene, Namaacha e Matola, respectivamente.



A presidencia aberta e inclusive de Armando Guebuza na provincial de Maputo, foi marcada por dentre vários momentos, visitas a projectos de desenvolvimento, financiados através do Fundo de Desenvolvimento do Distrito, sessões extraordinárias dos governos distritais e no ponto mais alto a auscultação pública sobre as inquietações das populações.

Armando Guebuza começou o seu périplo a esta parcela do país, escalando a localidade de Chicutso e Nhongonhane, nos dias 16 e 17 respectivamente, tendo se deparado com queixas de falta de energia eléctrica, agua potável, roubo de gado, vias de acesso, acesso a rede de telefonia móvel e transportes.

Chicutso e Nhongonhane, são localidades dos distritos de Magunde e Marracuene, cuja densidade populacional, é de 919 e 15 mil e 962 habitantes respectivamente.

Já em Matesequenha, o presidente da República esteve no dia 18 e deparou-se com problemas não muito diferentes as outras localidades já escalados.

Matesequenha que localiza-se a sul do distrito de Namaacha, faz fronteira com o distrito de Moamba, a norte, as localidades de Mafuiane, Impaputo e Kala-kala a sul e a RAS a oeste ocupando uma área de 588 quilómetros quadrado, conta actualmente com 1.353 habitantes, dedicando-se a exploração e venda de carvão vegetal para além da agricultura como actividades principais.

No entanto, a agricultura que corresponde a actividade de grande vulto na localidade, na campanha agrícola de 2009 e 2010, não chegou a render, isto, motivado pela insuficiente de queda pluviométrica e mal distribuída e altas temperaturas, ouve perda de várias culturas de rendimento, principalmente nas culturas de milho e feijão Nhemba, o que resultou, igualmente, na baixa Produção e produtividade e no incumprimento do planificado.

Armando Guebuza, viveu de perto este drama, seja pela visita que efectuou aos campos agrícolas e pelas inquietações colocadas no comício popular não só, a população, queixou-se também de roubo nas suas machambas.

“Há malfeitores que roubam o que produzimos nas machambas, deixam-nos semear e depois vem levar. Nós dependemos disso para viver aqui e já falamos disso com as autoridades, mesmo assim nada muda. Pedimos que haja um reforço policial porque aqui só temos polícia comunitária e estes não tem servido muito” disse Maria José, que acrescentou de seguida “nós culti8vamos e produzimos, mash á ladrões que vem levar tudo para cidade”.

Maria José não parou por aqui, reclamou a falta de oportunidade de emprego para os graduados da décima-segunda classe “Os nossos filhos quando terminam a decimal segunda classe, por não ter emprego, acabam bebendo tentação e outras bebidas. Levamos tudo que ganhamos com as machamabas e investimos nos estudos dos nossos filhos, mas depois os vemos a se entregar nos vícios, pedimos que haja emprego.”Disse.

O roubo de gado para as cidades, foi também denunciado em Matsequenha e Segundo contou a população ao Chefe do Estado, os indivíduos que envolvem-se nos roubos, apresentam factures de compra de uma cabeça de boi, mas aparecem com vinte cabeças, por isso o povo questiona o passivismo das autoridades e pedem que sejam criados talhos para venda de carne dentro da localidade.

Armando Guebuza ouviu as reclamações e Segundo disse, tomou nota, aprendeu, no entanto, é preciso que o povo saiba esperar das respectivas respostas e enquanto isso é preciso que trabalhem.

“A construção da riqueza faz-se de várias maneiras, mas o principal, é a unidade, a harmonia, a paz, para deste modo, trabalharmos e lutar contra a pobreza. Não tenhamos medo de trabalhar, temos força e recursos, então trabalhemos.”Disse Guebuza.

Moradores de Chicutso partilham água com elefantes

Concluindo a sua intervenção Carlos Timbe disse que na localidade onde se encontra há uma baixa onde estes, partilham a água com os animais de grande porte tal é o caso de elefantes.

Carolina Ubisse disse ser membro integrante de uma Associação de Agricultores e Criadores de Gado, avança que “recebemos inicialmente 10 cabeças de gado que reproduziram e passamos as crias para mais 10 pessoas.

Numa outra abordagem Carolina fez referência a represa que avariou e que não conserva a água e se tivesse a capacidade de conservar este precioso líquido “não só utilizaríamos para fins domésticos como também serviria para o regadio das machambas”. Não obstante tanta produção em nome dos membros da associação a interveniente pediu para que vedassem as machambas porque o gado bovino invade as suas culturas.

 
Falta de água facilita a iminência de diarreias em Chicutso

De acordo com Celina Mondlane, enfermeira do posto de Saúde de Chicutso para além dos pacientes percorrerem quilómetros à procura de uma unidade sanitária, o crónico problema de água acentua em várias doenças, como é o caso da chamada “doença das mãos sujas, a cólera”, bem como outras enfermidades. “ O dia-a-dia dos pacientes tem sido normal, eles vem quando tem enfermidades”, mas para além das distâncias a grande preocupação é água potável e alimentação, garantiu a enfermeira acrescentando que não há fonte de abastecimento deste precioso líquido, por isso que prevalecem muitas doenças”.

Para reverter a actual realidade das populações daquela localidade o centro de saúde tem distribuído cloro para a população dissolver em água. O facto agrava-se porque na localidade não contam com serviços de ambulância: “quando temos um caso grave temos que informar a sede em Magude, para que disponibilizem uma ambulância ou mesmo vir evacuar o paciente”. Questionada sobre as repercussões que possam advir pela falta deste serviços, Celina cingiu-se a comentar sobre a distância e o estágio das vias de acesso.

Refira-se que, o centro de saúde desta localidade conta com uma enfermeira e uma agente de serviço “servente” e, atende por dia cerca de 30 pacientes.

Já os doentes dizem que tem levado a peito a iniciativa do centro no sentido de minimizar esses males.

 
Agricultores denunciam desmandos da Açucareira de Xinavane

Na voz de Enfraime Titos Cossa, um dos produtores de cana sacarina, fez-se sentir o sofrimento de oito Associações que cultivam a cana-de-açúcar.

“Quando este projecto de cana-de-açúcar chegou ao nosso distrito cantámos de alegria, pois entendemos que o desenvolvimento havia chegado às nossas povoações, mas afinal era a entrada da pobreza, desgraça e desavenças no seio dos residentes que outrora conviviam em harmonia mesma dentro das dificuldades ”. De acordo com Cossa, o autor deste drama é a Açucareira de Xinavane que nunca honrou com a sua obrigação limitando-se em elevar cada vez mais a produção à custa de pobres camponeses, que não só entregaram as suas terras para o plantio de canas, mas também arduamente tem produzido toneladas em cada ano, em beneficio da empresa.

Ademais, esta Açucareira nunca aceitou firmar um contrato com nenhum dos agricultores, pese embora exista um instrumento orientador no processo que nos liga a ela. A fonte disse ainda que a empresa nunca se pronunciou em relação ao custo de aquisição da cana produzida pelos agricultores.

Dando exemplos claros a fonte disse que num documento em posse deles, aparecem despesas de salários correspondentes a um ano, despesas de transporte de trabalhadores, facto que não constitui a verdade porque estes, nunca se beneficiaram disso e, para agravar os mesmos produtores vivem nas cercanias das machambas e nunca precisaram de transporte para deslocar-se a fabrica.

Este procedimento tomado pela empresa faz com que o “camponês trabalhe um ano para ganhar apenas 6 mil meticais”. A fonte avançou ainda que vários contactos foram feitos com o corpo directivo da empresa, mas a tentativa logrou num fracasso.

Camponeses acusam “Xinavane” de tentativa de burla

Ainda sobre o caso de exploração de terras e trabalhadores, a empresa Açucareira de Xinavane contratou um trabalhador patenteado director de todas associações produtoras de cana-de-açúcar mas que o tal não teve consentimento dos camponeses, facto que para estes o “director” está para defender os interesses da empresa. “Este senhor claramente vem defender os interesses da Açucareira e não os nossos”.

O intitulado “director” sempre que se aproxima junto das comunidades para além de não colaborar para encontrar soluções “só limita-se a demonstrar a arrogância exibindo o seu currículo académico e engrandecendo a nossa desgraça”.

Por estes constrangimentos os camponeses pediram ajuda ao PR para que encontre soluções pois segundo eles “ a nossa identidade social está ferida” e pedem a intervenção do governo para que retire as terras “para que um dia, os nossos filhos e netos possam voltar a cultivar várias culturas que foram substituídas pela cana-de-açúcar que está a beneficiar a açucareira”, concluiu.


Situação económica de Matsequenha



Referido antes, em Matsequenha, a agricultura, a criação de gado e venda do carvão vegetal e lenha, ocupam o grosso da população.

Na agricultura, embora embaraços havidos na campanha 2009/2010, foram alocados para produção de alimentos, 120 quilogramas de sementes de feijão, cobrindo 2 hectares um metro cúbico de estacas de mandioca. 3 Toneladas de milho.
Foram apresentadas 6.360 de gado bovinos em 2010, representando 84% se comparado com os 3.450 bovinos de 2009.

No que diz respeito ao comércio, existem apenas quatro lojas em funcionamento, uma mini mercearia e 8 barracas e a localidade possui ainda uma indústria de extracção e processamento de pedras Tâmega.

O turismo ainda não se faz sentir na localidade, sendo que a construção de infra-estruturas, também está enfraquecida. Entretanto, estão e situação de reparo, 65 quilómetros por extensão de estrada não clarificadas consideradas principais. Foram reabilitadas 8.5 km de extensão no âmbito do Fundo descentralizado para o sector agrário.

No que diz respeito a gestão do Fundo de Desenvolvimento do Distrito, Matsequenha, teve financiado 15 projectos de 2007 a 2010, nos sectores de comércio e agricultura. Destes, oito estão parados por motives não claros, diz ainda o informe, apresentado ao Chefe do Estado.

Em termos de receitas, durante o período acima indicado foi colectado 5.165 meticais de impostos da reconstrução Nacional e Taxas diversas contra 5.443 meticais do ano passado, tendo havido, portanto, um decréscimo devido a fraca dedicação de alguns líderes.



Siduava: um povoado com um desenvolvimento franco

Não abstendo-se do cenário negro, vivido na zona rural, o birro de Siduava, com 3.500 habitantes, divididos em 19 quarteirões, tem 90 por cento da sua população servindo a agricultura e metade destes, é desempregada.

Armando Guebuza, escalou Siduava, no último dia da sua visita, dedicada ao município da Matola, tendo vivido de perto a situação dramática da população local, que tal como Matsequenha, ainda tem as marcas da Guerra de destabilização.

O conflito armado que culminou com a assinatura dos Arcodos Gerais da Paz em 1992, fez com que o povoado de Siduava, perdesse vários habitantes e desligasse o seu estilo característico de criador de gado com muitas potencialidades.

A população de Siduava, reclamou ao Presidente da República, a expansão da rede eléctrica no bairro, o acesso a mais furos de água, o melhoramento das vias de acesso, a criação de uma rota de transportes que ligue o bairro com o centro das cidades de Maputo e Matola e principalmente, o alargamento do horário de funcionamento do posto de saúde local.

Alias, a população referiu que o drama vivido com o enceramento do posto de saúde local aos sábados e domingos, tem obrigado com que os doentes aguardem a segunda-feira para uma consulta médica.

Por outro lado, a insegurança começa a ameaçar o bairro, sendo que na mesma ocasião, os moradores pediram ao Armando Guebuza, a instalação de um posto policial no bairro.

Neste bairro, o Chefe do Estado, teve o seu discurso virado ao elevado custo de vida e sobre a ideia de se olhar as greves e manifestações, como meios para reivindicar o alto custo de vida, ao invés de se aumentar o trabalho para a Produção.

Guebuza, dissertou sobre as possibilidades que o povo tem, num país livre e independente, para produzir comida e deixar de ser pedinte, mas ser quem oferece.

“Uma coisa é não termos coisas para sobreviver, outra é não ter liberdade para fazer. Mas nós temos a liberdade e podemos produzir. Podemos deixar de ser pedintes e passarmos a dar também”. Disse Armando Guebuza, acrescentando que “há pessoas que pensam que basta querer para ter e ao em vez de optar pelo trabalho, ficam sentados e exigem. Fazem barulho e dizem quer comer. Porque não trabalham porque tem forças.”



“As pessoas entendem a situação económica do país”

Entretanto, em jeito de balanço, o presidente da República Armando Guebuza, disse ser assinalável o desenvolvimento da provincial não só economicamente, como politicamente, pois mostra-se uma liderança que se preocupa com os problemas reais das localidades.

O Presidente, disse ainda que as pessoas reconhecem a real situação económica do país e mostraram disposição para o trabalho e o consequente aumento da Produção e produtividade.

“Notamos que as localidades estão conscientes dos passos que o governo está dar para mudar as condições em que se encontram. Pelas localidades onde passamos, havia Produção e isso é exemplo de trabalho.”

No que diz respeito aos sete milhões, Armando Guebuza, mostrou a sua preocupação com a fraca devolução dos valores, apesar de alguns projectos estarem em andamento.

A terminar, Guebuza, explicou que a escolha das localidades para a presente visita presidencial, surge na necessidade de se ficar mais perto do povo, aprender e ouvir as suas inquietações.


sexta-feira, 18 de março de 2011

Maus espíritos perseguem alunas da Secundária da Matola

Por Eduardo Quive



Aluna desmaiada numa outra escola do município

Ondas de desmaios assolaram estudantes do sexo femenino na Escola Secundária da Matola, por sinal uma das maiores unidades de ensino secundário na província de Maputo. Os espíritos “mulherengos” depois de actuarem na Escola Secundária Quisse Mavota na capital do país, que registou desmaios e delírios de alunas no ano passado, terão se manifestado na província de Maputo na 4ª feira passada, desconhecendo-se no entanto as razões por detrás da possessão. A A ideia de possessão é mantida pelos estudantes e ponderada pela direcção da escola que alega questões emocionais e de saúde por parte das “vítimas”.


A situação que vem aponquentando a escola desde os meados do ano passado, passou para destaque, no presente ano lectivo e na quarta-feira 10 de Março corrente, a direcção da escola viu-se obrigada a interromper as aulas do primeiro turno devido a uma onda de desmaios que se verificaram naquele estabelecimento de ensino.

Na referida data, desmaiaram cerca de 20 alunas, segundo fontes entrevistadas no local pelo Escorpião que igualmente mostraram-se chocadas com o fenómeno, que no ano passado, teve grande impacto na Escola Secundária Quisse Mavota, arredores da cidade de Maputo, tendo ainda assombrado as escolas secundárias do Livramento e Infulene, mas sem grandes repercusões.

“Há duas semanas tem havido desmaios. São coisas que não suportamos e estamos alarmados com isso. Desde quinta-feira, que por dia desmaiam cerca de 10 pessoas e isso não é normal” - disse um dos alunos daquela escola.

“A primeira miúda que a vi a manifestar problemas de desmaios, primeiro secou as mãos e daí atingiu outras partes do corpo que secaram até o desmaio, mas depois recuperou. Hoje, quarta-feira, foi o dia mais pior, principalmente para o turno da manhã que praticamente não estudou. Todos alunos foram dispensados, porque desmaiaram mais de 20 pessoas, o que não é normal e tem a ver com os espíritos segundo dizem”-concluiu Faftine António, activista do Núcleo dos Estudantes desta escola.

O aluno que nos conta o acontecimento, disse na ocasião que na hora em que as cerca de 20 raparigas desmaiaram, esteve no local, um obreiro da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) que confirmara tratar-se de algo espiritual, no entanto, não sabe se tais espíritos são da escola ou das vitimas de tais desmaios.

“Nós carregamos e controlamos as pessoas. Mas hoje chegou-se a chamar o posto de saúde para carregar as pessoas para os cuidados médicos no hospital da Matola-H. O estranho é que desmaiam sempre mulheres. A situação ficou assustadora desde 5ª feira da semana antepassada, mas antes, também aconteciam mas em número bastante reduzido variando de uma a três pessoas por dia” - Frisou.

Fora das suspeitas tidas pelo obreiro da igreja universal, Faftine, considera que não é normal que os desmaios sejam por doença, uma vez ter sido um fenómeno registado em grandes números, derrubando 20 alunas em porção de pouco tempo.

“ Hoje por exemplo, passou uma aluna da Escola Secundária de Malhapsene e teve este problema em frente da escola, logo entrou no recinto do pavilhão, das salas um a quinze e esgravatou. De seguida, outra aluna, já daqui da Matola, que estava na ambulância, delirava dizendo que a miúda da escola de Malhampsene sabe o que está por detrás disto tudo, Isso chocou-me”. Conta o aluno.

Entretanto o ambiente normal da escola, segundo os nossos entrevistados mudou com esta situação. Os alunos estão preocupados com o acontecimento, algumas até revelaram o seu medo afirmando que isto não é normal, sempre que saio de casa me preocupa não saber se isso vai ou não se repetir.”

A nossa fonte vai mais longe no seu relato, dizendo que algumas alunas, desmaiam, mas as outras, principalmente no caso da última quarta-feira, apenas deliravam.

Encarregados tentam chegar à razão

Uma mãe, por sinal encarregada de educação que em tempos frequentou naquela escola frsou que, “existem salas naquela escola com supostos problemas apontando pelo menos duas, e que houve uma altura em que as portas trancavam-se por si só, sem que ninguém as tocasse. Em algumas salas, apareciam cobras do nada e desapareciam misteriosamente” - disse.

A opinião da nossa fonte, é de que para se encontrar uma solução do problema passa por se fazer o mesmo que se fez na Escola Secundária Quisse Mavota. Deviam fazer uma cerimónia, chamar os anciãos para a escola” -finalizou.

Portanto, Henrique Quito Mavinga, director da Escola Secundária da Matola, disse que sempre houve problema de desmaios na escola, sendo que apenas nesta quarta-feira ganharam contornos alarmantes.

Mavinga, considera que este pode não ser necessariamente um problema espiritual, mas emocional, pois quando as alunas vem uma a desmair, outras ficam assustadas e acabam caindo também.

Contudo, este dirigente, não descarta a hipótese de espíritos malignos estarem a vaguear o recinto da escola, sendo que o problema será colocado aos encarregados de educação para se encontrarem possíveis soluções.

Num outro desenvolvimento, Henrique Mavinga, lançou uma ofensiva contra as fábricas que estão ao redor da escola que possivelmente, estarão a soltar produtos nocivos a saúde afectando a saúde dos alunos desta instituição.

Alunas vítimas de desmaios contam sua versão

Lina de Mereles: “Sempre que desmaio, primeiro perco a respiração, sinto-me muito fraca e logo depois desmaio. Sinto-me eletrocutada no corpo não consigo respirar, vejo coisas estranhas, mas nunca delirei. Quando recupero, fico com problemas de respiração, como se algo estivesse na minha garganta. Não sei caracterizar o que vejo, mas quando isso acontece tento pensar em coisas boas para manter a calma”.

Acrescenta que, “já recorri ao hospital e disseram-me que tenho tensão. Entretanto, dizem ainda que quando me sinto eletrocutada já não se sabe do que se trata, mas perder ar, ficar fraca e desmaiar dizem que pode sim estar aliado a minha doença”.

Lina de Mireles ainda em conversa connosco, revelou que, para ela os desmaios acontecem desde finais do ano passado, e já aconteceu por duas vezes.

“Os desmaios acontecem-me principalmente na sala de aulas e na formatura e nunca fora.

Ouvi dizer que os desmaios nesta escola acontecem desde há muito tempo, portanto estou no meu terceiro ano de frequência aqui e não acreditava, mas no ano passado começou a ganhar outros contornos, tanto para o período de manhã assim como da tarde”.

“Eu não acho isto normal porque saio de casa com medo, perguntando-me se será que hoje não irei passar mal! Que não irei estudar e posso reprovar, pois quando isto acontece perdemos as aulas. Para mim este, é um problema que a escola deve resolver e explicar-nos sobre o que está a acontecer” -desabafou Lina.

A outra estudante que também sentiu os efeitos dos desmaios na pele, é Jéssica Iracema, que aceitou falar a nossa reportagem sobre o seu sentimento a respeito da onda de desmaios que assolou a sua escola.

“Primeiro sou asmática e há vezes que uso bomba quando sinto necessidade de mais ar. Mas, pelos desmaios fui ao hospital e disseram-me que tenho tensão alta. Os desmaios me tem acontecido desde o ano passado só dentro do recinto escolar, em casa apenas sinto fraquezas e tenho usado a bomba auxiliar em caso de necessidade”.

Segundo Jéssica, só na turma que frequenta, cerca de cinco colegas suas desmaiam constantemente e noutras salas também. Não deixando de revelar o seu real sentimento sobre o caso.

“Normal nunca há-de ser. Sinto medo. No meu ponto de vista, por aquilo que vem acontecendo. Julgo ser tempo de a direcção da escola fazer algo para minimizar no mínimo esta situação. Até ao final do ano, se isto continuar assim, muitas meninas vão reprovar e a escola não se responsabilizará por isso”- disse.

Posto de saúde interno não está a funcionar

“ Sem querer maldizer muito menos ofender a quem quer que seja, falar do posto de saúde da escola é difícil, pois se encontra em condições precárias. Está cheio de aranhas, não sai água, não tem nem sequer um medicamento e está acumulado de poeira e sem pessoal de saúde. Essas são as reais condições do lugar onde se minimizaria o impacto de eventuais doenças, alegadas pela direção da escola.”

O coordenador do Núcleo dos Esctudantes da Escola Secundária da Matola, Achirafo Issufo, considerou a situação de alarmante uma vez ser elevado o número de raparigas que desmaiam na escola. Contudo, na opinião deste jovem trata-se de situações que com algum medicamento podem passar, pelo que a solução passa pelo apetrechamento do pronto-socorro interno.

Issufo, confirmou a nossa reportagem que não há condições nenhumas para o posto de saúde entrar em funcionamento breve trecho.

Henrique Quito Mavinga, afiançou-nos que em tempos o posto de saúde funcionou, nas mãos de um reformado da saúde, contratado pela escola.

Neste momento encontra-se encerrado por falta de verbas, sendo que já se sente a necessidade de reactivar os serviços, segundo aquele dirigente.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Maus espíritos perseguem alunas da Secundária da Matola

Por Eduardo Quive

Ondas de desmaios assolaram estudantes do sexo femenino na Escola Secundária da Matola, por sinal uma das maiores unidades de ensino secundário na província de Maputo. Os espíritos “mulherengos” depois de actuarem na Escola Secundária Quisse Mavota na capital do país, que registou desmaios e delírios de alunas no ano passado, terão se manifestado na província de Maputo na 4ª feira passada, desconhecendo-se no entanto as razões por detrás da possessão. A A ideia de possessão é mantida pelos estudantes e ponderada pela direcção da escola que alega questões emocionais e de saúde por parte das “vítimas”.


A situação que vem aponquentando a escola desde os meados do ano passado, passou para destaque, no presente ano lectivo e na quarta-feira 10 de Março corrente, a direcção da escola viu-se obrigada a interromper as aulas do primeiro turno devido a uma onda de desmaios que se verificaram naquele estabelecimento de ensino.
Na referida data, desmaiaram cerca de 20 alunas, segundo fontes entrevistadas no local pelo Escorpião que igualmente mostraram-se chocadas com o fenómeno, que no ano passado, teve grande impacto na Escola Secundária Quisse Mavota, arredores da cidade de Maputo, tendo ainda assombrado as escolas secundárias do Livramento e Infulene, mas sem grandes repercusões.
“Há duas semanas tem havido desmaios. São coisas que não suportamos e estamos alarmados com isso. Desde quinta-feira, que por dia desmaiam cerca de 10 pessoas e isso não é normal” - disse um dos alunos daquela escola.
 “A primeira miúda que a vi a manifestar problemas de desmaios, primeiro secou as mãos e daí atingiu outras partes do corpo que secaram até o desmaio, mas depois recuperou. Hoje, quarta-feira, foi o dia mais pior, principalmente para o turno da manhã que praticamente não estudou. Todos alunos foram dispensados, porque desmaiaram mais de 20 pessoas, o que não é normal e tem a ver com os espíritos segundo dizem”-concluiu Faftine António, activista do Núcleo dos Estudantes desta escola.
O aluno que nos conta o acontecimento, disse na ocasião que na hora em que as cerca de 20 raparigas desmaiaram, esteve no local, um obreiro da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) que confirmara tratar-se de algo espiritual, no entanto, não sabe se tais espíritos são da escola ou das vitimas de tais desmaios.
“Nós carregamos e controlamos as pessoas. Mas hoje chegou-se a chamar o posto de saúde para carregar as pessoas para os cuidados médicos no hospital da Matola-H. O estranho é que desmaiam sempre mulheres. A situação ficou assustadora desde 5ª feira da semana antepassada, mas antes, também aconteciam mas em número bastante reduzido variando de uma a três pessoas por dia” - Frisou.
Fora das suspeitas tidas pelo obreiro da igreja universal, Faftine, considera que não é normal que os desmaios sejam por doença, uma vez ter sido um fenómeno registado em grandes números, derrubando 20 alunas em porção de pouco tempo.
“ Hoje por exemplo, passou uma aluna da Escola Secundária de Malhapsene e teve este problema em frente da escola, logo entrou no recinto do pavilhão, das salas um a quinze e esgravatou. De seguida, outra aluna, já daqui da Matola, que estava na ambulância, delirava dizendo que a miúda da escola de Malhampsene sabe o que está por detrás disto tudo, Isso chocou-me”. Conta o aluno.

Entretanto o ambiente normal da escola, segundo os nossos entrevistados mudou com esta situação. Os alunos estão preocupados com o acontecimento, algumas até revelaram o seu medo afirmando que isto não é normal, sempre que saio de casa me preocupa não saber se isso vai ou não se repetir.”
A nossa fonte vai mais longe no seu relato, dizendo que algumas alunas, desmaiam, mas as outras, principalmente no caso da última quarta-feira, apenas deliravam.

Encarregados tentam chegar à razão

Uma mãe, por sinal encarregada de educação que em tempos frequentou naquela escola frsou que, “existem salas naquela escola com supostos problemas apontando pelo menos duas, e que houve uma altura em que as portas trancavam-se por si só, sem que ninguém as tocasse. Em algumas salas, apareciam cobras do nada e desapareciam misteriosamente” - disse.
A opinião da nossa fonte, é de que para se encontrar uma solução do problema passa por se fazer o mesmo que se fez na Escola Secundária Quisse Mavota. Deviam fazer uma cerimónia, chamar os anciãos para a escola” -finalizou.
Portanto, Henrique Quito Mavinga, director da Escola Secundária da Matola, disse que sempre houve problema de desmaios na escola, sendo que apenas nesta quarta-feira ganharam contornos alarmantes.
Mavinga, considera que este pode não ser necessariamente um problema espiritual, mas emocional, pois quando as alunas vem uma a desmair, outras ficam assustadas e acabam caindo também.
Contudo, este dirigente, não descarta a hipótese de espíritos malignos estarem a vaguear o recinto da escola, sendo que o problema será colocado aos encarregados de educação para se encontrarem possíveis soluções.
Num outro desenvolvimento, Henrique Mavinga, lançou uma ofensiva contra as fábricas que estão ao redor da escola que possivelmente, estarão a soltar produtos nocivos a saúde afectando a saúde dos alunos desta instituição.

Alunas vítimas de desmaios contam sua versão

Lina de Mereles: “Sempre que desmaio, primeiro perco a respiração, sinto-me muito fraca e logo depois desmaio. Sinto-me eletrocutada no corpo não consigo respirar, vejo coisas estranhas, mas nunca delirei. Quando recupero, fico com problemas de respiração, como se algo estivesse na minha garganta. Não sei caracterizar o que vejo, mas quando isso acontece tento pensar em coisas boas para manter a calma”.
Acrescenta que, “já recorri ao hospital e disseram-me que tenho tensão. Entretanto, dizem ainda que quando me sinto eletrocutada já não se sabe do que se trata, mas perder ar, ficar fraca e desmaiar dizem que pode sim estar aliado a minha doença”.
Lina de Mireles ainda em conversa connosco, revelou que, para ela os desmaios acontecem desde finais do ano passado, e já aconteceu por duas vezes.
“Os desmaios acontecem-me principalmente na sala de aulas e na formatura e nunca fora.
Ouvi dizer que os desmaios nesta escola acontecem desde há muito tempo, portanto estou no meu terceiro ano de frequência aqui e não acreditava, mas no ano passado começou a ganhar outros contornos, tanto para o período de manhã assim como da tarde”.
“Eu não acho isto normal porque saio de casa com medo, perguntando-me se será que hoje não irei passar mal! Que não irei estudar e posso reprovar, pois quando isto acontece perdemos as aulas. Para mim este, é um problema que a escola deve resolver e explicar-nos sobre o que está a acontecer” -desabafou Lina.
A outra estudante que também sentiu os efeitos dos desmaios na pele, é Jéssica Iracema, que aceitou falar a nossa reportagem sobre o seu sentimento a respeito da onda de desmaios que assolou a sua escola.
“Primeiro sou asmática e há vezes que uso bomba quando sinto necessidade de mais ar. Mas, pelos desmaios fui ao hospital e disseram-me que tenho tensão alta. Os desmaios me tem acontecido desde o ano passado só dentro do recinto escolar, em casa apenas sinto fraquezas e tenho usado a bomba auxiliar em caso de necessidade”.
Segundo Jéssica, só na turma que frequenta, cerca de cinco colegas suas desmaiam constantemente e noutras salas também. Não deixando de revelar o seu real sentimento sobre o caso.
“Normal nunca há-de ser. Sinto medo. No meu ponto de vista, por aquilo que vem acontecendo. Julgo ser tempo de a direcção da escola fazer algo para minimizar no mínimo esta situação. Até ao final do ano, se isto continuar assim, muitas meninas vão reprovar e a escola não se responsabilizará por isso”- disse.

Posto de saúde interno não está a funcionar

“ Sem querer maldizer muito menos ofender a quem quer que seja, falar do posto de saúde da escola é difícil, pois se encontra em condições precárias. Está cheio de aranhas, não sai água, não tem nem sequer um medicamento e está acumulado de poeira e sem pessoal de saúde. Essas são as reais condições do lugar onde se minimizaria o impacto de eventuais doenças, alegadas pela direção da escola.”
O coordenador do Núcleo dos Esctudantes da Escola Secundária da Matola, Achirafo Issufo, considerou a situação de alarmante uma vez ser elevado o número de raparigas que desmaiam na escola. Contudo, na opinião deste jovem trata-se de situações que com algum medicamento podem passar, pelo que a solução passa pelo apetrechamento do pronto-socorro interno.
Issufo, confirmou a nossa reportagem que não há condições nenhumas para o posto de saúde entrar em funcionamento breve trecho.
Henrique Quito Mavinga, afiançou-nos que em tempos o posto de saúde funcionou, nas mãos de um reformado da saúde, contratado pela escola.
Neste momento encontra-se encerrado por falta de verbas, sendo que já se sente a necessidade de reactivar os serviços, segundo aquele dirigente.

Edição 1 - Nós - Artes e Culturas

TV-NUMA PALESTRA COM ESCRITOR BRASILEIRO, RUBERVAM DU NASCIMENTO