terça-feira, 20 de setembro de 2011

Dudas Aled:“Música é minha alma não meu dinheiro”

Por Eduardo Quive
Foto: Perfil do Dudas no facebook

Alfredo Eduardo Chipande, nome verdadeiro Dudas Aled, é um jovem que toca e canta, e descobrimos que fora igualmente, bailarino. Aliás, bom bailarino. Mas a música venceu. Agora toca para sua própria voz. Sentado com a sua guitarra não consegui se calar. Canta e encanta. É conhecido nas noites de Maputo, mas não é artista que se encontre na praça, se calhar porque não anda no Coconuts, Franco Moçambicano, Big Brother nem qualquer uma das casas badaladas na capital. Anda em cúbicos. Na maioria das vezes em verdadeiros palcos, mas também, e não poucas vezes, é músico das serenatas. É isso mesmo. Dudas, pseudónimo que vem de Eduardo que também originou o Dudu, assim chamado em casa é um nome sem fundamento. Uma vez chamaram-lhe Dudas Crazy por causa das loucuras que faz na música, depois saiu o Crazy e ficou apenas com o Dudas, mas agora, é abençoado Dudas Aled – Alfredo Eduardo. Nasceu em Fevereiro de 1990, isto é, estamos perante um talento de 21 anos de idade em pleno princípio do século XXI.

Depois de ter tido vários nomes, viu a necessidade de ficar com Dudas, mas precisava de mais porque imaginava que um dia iam aparecer outros Dudas por aí, por isso, adoptei as iniciais do meu verdadeiro nome e ficou assim, Dudas Aled (Alfredo Eduardo), este que hoje é considerado por muita gente como aquele que toca e canta.
Com a adopção do Dudas Aled, o jovem, na altura adolescente, tornou-se um fugitivo e muito procurado. Fugitivo da dança que fora refugiar-se na música mesmo na entrada da adolescência.
Desde lá tem feito música para gente que tem bom ouvido, e para além disso é estudante universitário, ou seja além de música ele aprende sobre vários aspectos da sociedade, ele diverte-se e busca conhecimentos, evolve-se em grupos e em situações que lhe possam dar mais conhecimentos, estou a falar do caso concreto do Movimento Literário Kuphaluxa, uma agremiação ligada à aspectos literários moçambicanos, onde Dudas é membro, e junto dos saraus culturais e dos literatos vai caminhando pelos seus labirintos. Labirintos sim. Caminho onde não se acham saídas, porque o próprio coração tornou-se a chave. Dudas canta de corpo e alma.

Porquê fugiu da dança para se tornar músico?

- Interessei-me pela música romântica depois dos meus 10 anos de idade. Lembro-me que ouvi muito as músicas do Leonardo, eu era fã dele e ainda sou, principalmente pela forma que ele aborda as suas mensagens.
Daí comecei a imitar, fazendo barulho de um lado para outro. Lembro-me até que nessa altura a minha prima disse-me que não valia a pena apostar na música, mas sim tinha que continuar na dança. Levei isso na brincadeira, mas por um lado considerei uma verdade, foi quando comecei a não abrir a minha boca onde havia gente, e comecei a cantar na casa de banho ou noutro sítio escondido.
Mas desenvolvi assim mesmo, com as músicas de Leonardo, cantei bastante e fui conhecendo quase todas as músicas deste cantor se calhar, só não conheço aquelas que ele não lançou.
Aos meus 14 anos conheci um amigo que sabia tocar guitarra, aí ganhei mais força, ele tocava e eu cantava. Lembro-me que cantava-mos mais uma música brasileira intitulada “Palpite” agora também interpretada por Ana Carolina, quase que só cantávamos aquela música, e assim fomos desenvolvendo, até que chegamos a altura em que me ensinou a tocar guitarra.
É incrível que aprendi só os acordes da música palpite, mas daí toquei outras músicas como a do Bruno e Marone “dormi na praça”, muitas músicas no geral, brasileiras. Eu gosto muito da música brasileira, não porque a de Moçambique não seja boa, mas acho que a maneira com que eles abordam as mensagens do sentimento é muito diferente do nosso jeito. Então não é o problema de não gostar de Moçambique.

Passado algum tempo com 16/17 anos, tocava melhor a guitarra e ía desenvolvendo alguns temas, e acabei por conhecer alguns artistas. Mas nessa altura tive uma namorada que foi catalisadora desse meu lado artístico. Por causa dela toquei muito a música romântica como qualquer apaixonado, isso faz parte. Toquei muito a música romântica por causa dela.
Na época em que era muito divulgada a música “Mamana” (mãe) da cantora Mingas, me envolvi nela e toquei muito por causa da mãe que ia graduar. Conheci toda aquela música do princípio ao fim, mesmo não sabendo o que significava, mas aprendi e jurei que essa música não ia sair de mim. Aliás, a música “Mamana” levou-me para patamares que nem imaginava chegar. Foi a partir dessa música que conheci o Centro de Estudos Brasileiros (actual Centro Cultural Brasil – Moçambique) e o próprio Calane da Silva, conheci, a Mingas, Elvira Viegas, Pedro Miambo, e através deste, no seu projecto noites de abraço, conheci muita gente.
As pessoas me diziam nas Noites de Abraço que embora eu cante música brasileira, tenho uma boa voz e tinha que começar a fazer os meus próprios trabalhos e comecei a interpretar alguns temas moçambicanos.
Nessa altura desenvolvi mais uma vez a música da Mingas intitulada “alirandzu”, nesse caso por influência de uma outra pessoas, a irmã do Pedro Miambo que canta muito bem essa música.
Mesmo tendo dificuldade de falar changana, fui desenvolvendo mais músicas. Interpretei a música “Kinaxikuru” de Aly Faque, por causa daquela tonalidade dele que muito admiro. Aquela música contribuiu muito para meu sucesso.

Conheci o Movimento Literário Kuphaluxa e me envolvi no Centro Cultural Brasil Moçambique, quando comecei a tocar e cantar no Instituto Cultural Moçambique – Alemanha (ICMA), no Teatro Avenida, até que senti o que considerei o momento mais alto da minha carreira pelo menos até agora, quando com o Pedro Miambo, fui actuar em Matalane, na casa do Malangatana antes do seu falecimento.
Fomos com a banda do Sérgio Simital. Foi brilhante, actuar num lugar livre. Era um piquenique onde tinha de tudo, teatro, música e humor. Lembro-me até que não tínhamos um palco, e para uma das cenas de teatro tínhamos que ter uma cama, não tivemos outra alternativa se não levar a cama do mestre. Eu mesmo toquei sentado nessa cama. Não tinha cadeira para sentar e tocar, a alternativa foi a cama do mestre, porque tinha que actuar, apesar da situação.
Para mim aquilo foi mais um desafio não só na carreira, mas para a minha vida, aprendi que sem condições que pensamos serem indispensáveis, nós podemos fazer mais. Acho que assim nós provamos que somos capazes, particularmente para mim, foi uma prova de que sei fazer.
Depois dessa actividade devo confessar que reduzi muito o trabalho.

“Já fiz homens chorarem”

Quais são os momentos marcantes deste seu início de carreira?

- Tive o grande momento da minha vida musical em 2010, embora parado em termos de frequentar os estúdios de gravação, mas tive várias actividades. Toquei em muitos eventos, como casamentos, conheci muita gente e foi nesse período em que as pessoas começaram a acreditar em mim incondicionalmente.
Facto curioso é que algumas pessoas achavam que eu tinha sucesso apenas para as mulheres, uma vez que estas são mais sensíveis à música romântica, mas digo sinceramente que eu fiz homens chorarem.
Meu primo casou mesmo recentemente, e o padrinho é o Primeiro-Ministro, cantei no seu casamento e a música que interpretei, fez a esposa do PM chorar. Parece brincadeira, porque o casal em casamento não era este, mas ela chorou, porque consegui atingir um ponto no sentimento das pessoas em que elas conseguem sentir o que canto. Com a música eu aconselho, acalmar, minimizar conflitos amorosos.
Toquei por muito tempo em baixo do prédio o vivo. Durante muito tempo fiz isso. Lembro-me que voltava da escola, deixava a pasta, pegava na minha guitarra e ia à rua para cantar. Quando isso acontecia a minha irmã dizia “já vais fumar”, isso como uma maneira de dizer que tocando na rua, alimento um vício. E tinha uma vizinha que sempre vinha para assistir.
Não deixo de lado um companheiro que canta comigo, chegamos a formar uma dupla que teve como nome IEDO. Participamos num evento de moda que teve lugar no jardim dos namorados, organizado pelo Nélio que agora está na Speed Entreteinment.
Nós nos deslocamos disso porque muitas propostas que vinham olhavam para o lado comercial e não vale a pena.

Cantar para viver e viver para cantar

Então não canta para ter dinheiro?

Enquanto eu achar que a música é minha alma não é meu dinheiro, não vou olhar para o dinheiro, mas depois de ter produzido e se achar que ela pode ser vendida, aí sim, mas não tenho objectivo de me tornar outra coisa só para poder vender a minha música. Já tive proposta de um engenheiro de som que era para ir fazer trabalhos na África do Sul, deu-me dois meses para pensar e não aceitei.
É que quando fazemos as coisas não pelo dinheiro, mas pela grandeza do nosso trabalho, isso nos dignifica. Mais vale continuar a fazer o meu estilo musical e os que gostam de mim, estarão atentos. Não vale a pena mudar do que gosto, e faço só para ir atrás do dinheiro. Eu disse há dias ao meu companheiro, que temos que o artista tem que ter em mente que ele é quem faz o mercado e não deve se submeter aos destinos do mercado. Eles devem moldar o mercado.
Se a ideia é fazer com que as pessoas adiram ao seu estilo musical, não precisa fazer greve, nem “bifes”, a partir de um e outro, vai buscando o seu mercado.
Não existe a segunda chance para marcar a primeira impressão. A priori quando a pessoa canta um estilo musical, fica uma marca, e é essa que vale. A pessoa pode fazer romântica, mudar para hause, pandza ou qualquer outro estilo musical, mas que não saia aquela beleza do seu trabalho, o sentimento. Tem que ter sempre um tom da sua identidade. Isto é, mudou o estilo em termos de ritmo, mas não mudou a abordagem dos assuntos na música.
É por isso que aderi a oportunidade que o Movimento Literário Kuphaluxa deu, por exemplo, porque eles não quiseram impor as suas regras naquilo que eu faço, muito pelo contrário, nem se quer mexeram no meu cardápio. Isso acontece até agora e estou ainda no movimento. O Pedro Miambo me conheceu com eles, e também não me quis mudar e conheci outras pessoas que me assumem com aquilo que canto.
Não vou aceitar a proposta de quem vem para me mudar por causa das exigências do mercado. Prefiro morrer na minha casta do que num mar à deriva.

Vejo que andas em muitos palcos. Afinal és artista de onde?

   - Até 2010, ano em começo a registar grandes momentos da minha vida musical, já ia definindo o meu público-alvo. Facto curioso é que via poucos adolescentes nos meus espectáculos, dificilmente apareciam jovens dos 19 à 22 anos, mas os de 25 para mais adiante até os adultos, eram tantos. Foi quando descobri que o meu público, independentemente de onde vou cantar, são pessoas entre os 25 a 30 anos e até aos 60 anos atinjo com a minha música.

E porquê ser amado por pessoas dessa idade?

- Acho que estes começam a entrar numa fase de conformismo com a vida, os de 25 não se integram nessa fase, mas a partir dos 30 anos, penso que são pessoas que começam a entrar para uma vida mais estável, definida e o que mais querem depois do stress é relaxar. O meu estilo de música proporciona isso. Dum modo geral, quem procura um bem-estar da alma, elas procuram o meu trabalho. Quando estão para casar, fazer aniversário ou uma serenata para quem amam, procuram-me, e é assim que tenho definido o meu público.
Mas não significa que os adolescentes não me escutam, tenho um número considerável de adolescentes que admira e consome aquilo que eu faço, porque a música é para ser decifrada e não para ouvir e interpretar a música de acordo com a situação imediata em que se encontra: discutiu com a namorada ou namorado, escuta uma música que lhe dá algum conselho, enfim. A música é para ser ouvida e entendida independentemente da situação em que nos encontramos. Então é isso que as pessoas podem encontrar em mim, não canto um estilo de música que será do gosto de uma maioria, mas o que faço para penetrar na alma.

Cantar para unir amores


Disse que já fez serenatas! Como foi isso?

- Graças a Deus toda serenata que fiz deu certo. A primeira serenata fora para o Nelo, aquilo foi complicado. Conto-lhe já como foi.
Ele disse-me numa chamada muito breve, Dudas liga-me preciso de ti. Ele já sabia que canto muito bem. Então disse que queria que eu cantasse uma música para alguém. Fiquei espantado mas pedi que me desse as dicas de como tinha que ser isso.
As pessoas as vezes me surpreendem, não param para pensar na situação em que podem nos submeter.
Disse-me para comprar flores e que eu havia de cantar uma música. Ele propôs-me que cantasse a música da Pérola “Doida”, e não aprovei a ideia, achei até que isso ia irritar a moça, para além de que seria difícil para mim, por essa cantora não se encaixar muito na minha tonalidade, porque tinha que o fazer em dois dias. Tinha que ser uma música que conhecesse e de fácil integração na tonalidade da minha voz. 
A moça trabalhava na TIM (Televisão Independente de Moçambique). Era recepcionista. Ele disse-me: chega, canta e deixa as flores. Fiquei mais pasmado ainda, até pensei que estivesse a gozar com migo. Mas ele pediu-me muito à rasca. Queria conquistar a moça. Mas depois achei interessante essa paixão dele e decidi o fazer.
Então lhe propus uma música do Tucan-Tucan que toquei muito. Ele aceitou. Então chegou o dia do desafio.
Cheguei à televisão com as minhas flores e com a guitarra não. Não falei com o segurança e me pus logo a entrar. Era preciso muita coragem. Cheguei ali, a encontrei e dei as flores. Aquilo era recepção duma televisão e com muita gente a olhar para mim. Todos atentos. Comecei a tocar e a cantar. A moça começou a tirar lágrimas e depois fiz um discurso e fui-me embora. Consegui unir os dois. Aquilo foi uma grande experiência para mim.
Depois de um tempo, o mesmo fulano, pediu-me que fizesse mais uma serenata, desta vez foi para uma miúda que também a queria. Teria que o fazer no dia do aniversário dela. A miúda estudava na Universidade A Politécnica. Meu Deus!!! Aquilo foi mais uma… numa escola, onde se está em aulas e eu chegar com a minha viola, flores e começar a cantar?!!
Aceitei o desafio e escolhi a música “só um dia” do músico brasileiro Fábio Júnior. Chegou o dia, fui a universidade. Enquanto subo as escadas fui espertando a atenção das mulheres: bem aprumado, num style com flores nas mãos e uma guitarra! As meninas começaram a gritar: para quem vão as flores. A fonte tinha me dado o nome da miúda e pedi uma aguda nas meninas e, por coincidência, estavam na hora do intervalo e fui indicado a distância. Mas logo de seguida, a pessoa a fonte manda-me fazer mais uma loucura: cobrir o rosto. Era para a moça para qual ia fazer a serenata não ter que se apaixonar por mim. A situação estava mais louca. Acabei exigindo que ele me pagasse por aquele trabalho. Está a ver o que é ir a uma universidade, com flores, uma viola e ainda ter que tampar o rosto!? Mas ele implorou muito “Dudas, por favor, não faça essa moça se apaixonar por ti”. O jeito era mesmo fechar a cara. Fi-lo com o próprio cachecol que trazia.
Cheguei ao encontro da miúda então. Toda rodeada de mais mulheres. O corredor estava já cheio. De rosto coberto, entreguei-lhe as rosas e fiz um pequeno discurso. De seguida entrei naquilo que sei fazer melhor, tocar e cantar. Todos que estavam no corredor começam a cantar comigo. Quase toda universidade parou naquele instante. Estava mais cheio de um espectáculo e pior porque estavam a apoiar. A moça começa a chorar. Então saiu um dos docentes quase no fim e mandou parar porque estava perturbar a aula dele. Terminei assim.
Mas ali já estava difícil de sair, todas miúdas queriam o meu contacto. Dei o número a moça que ajudou-me a encontrar a pessoa para qual tinha que fazer a serenata, e ela distribuiu a toda universidade.
Pus-me a sair. Na rua tirei o cachecol já a espera do carro que me levaria para casa e por coincidência, uma estudante vê o meu rosto. Mas foi mesmo uma coisa explosiva. Depois dali passei a vida a ser incomodado por causa do contacto que disponibilizei. Mas também fui muito contactado para fazer mais serenatas.
Até uma mulher já me contactou para reconciliar-se com o namorado. Contactou-me para ir cantar no Indy Village e o namorado aceitou-a de volta e foram jantar juntos.
Portanto, já cantei para reconciliar muitos amores desavindos.
Depois dessa mais serenatas vieram, já com um companheiro meu na música. Já fomos fazer umas no Jardim dos Namorados. Nesse tempo cantávamos mais em serenatas do que para o grande público.

Fazia serenatas para o encontro de amores doutros e os seus…

- Essa é a parte complicada. Tenho dito que isto não é uma brincadeira. Existe uma personalidade que adopto e outra que sou eu mesmo. Aquela pessoa que canta é outra. Quem se relacionar comigo porque ficou apaixonado com o Dudas cantor, pode se decepcionar. Não misturo as coisas. Sou mais diferente que o Dudas cantor. No meu dia-a-dia não sou tão romântico, mas gosto muito de palavras e boas brincadeiras.
Curiosamente a minha namorada não me conheceu na música, só descobriu depois que sou músico.
A conheci enquanto era DJ numa festa no Clube Matchedje. Descobri que ela não era de festas porque aquele evento era de finalistas da Escola Secundária Francisco Manyanga, onde ela estudava. Então ela levou meu contacto como DJ e depois descobriu que canto.
Outra coisa é que tenho mais amigas do que amigos, e sempre lhe pedi para que respeitasse isso porque as mulheres estão mais para o sentimento, e elas revelam-se muito no estilo de música que faço. Enquanto os homens não. Essa é a natureza. Ela entende e deixo claro. Ainda bem que ela é compreensiva e entende que é o meu trabalho, e não precisa estar na minha cintura a controlar, pois ela confia em mim.
Na minha vida sentimental, não tenho sido muito romântico. Para mim, o romantismo é algo mais do além, e busco esse lado na minha música para aliviar muitos problemas que o mundo real vive.
Mas escuto muito a música romântica porque realmente gosto e sempre me encontro. Tenho os meus problemas, os meus olhos e enfim. Lá eu relaxo e me sinto aconselhado.
Penso que como artista, o Dudas é grande. Mas tem projectos para a sua carreira?

- Tenho andado muito atento ao que as pessoas dizem. Elas exigem duas coisas de mim: Um álbum e actuações. Independentemente do lugar. É incrível que as pessoas não escolhem lugar para me ver. Algumas até dizem que mesmo que esteja embaixo do prédio onde vivo a cantar que os chame, que virão ao meu encontro.
Curiosamente já tenho vários fã-clubes. Tive um no Jardim dos Namorados e outros.
Há pessoas que tem o meu trabalho porque enquanto toco e canto elas gravam. Mas sempre preferem-me por perto.
Mas o meu projecto imediato é gravar o disco com as minhas músicas. Mas devo dizer que agora faço mais espectáculos porque as pessoas preferem assim. Querem-me sempre com elas. Uma das pessoas que mais me exige o disco é o escritor Calane da Silva que muito admira o meu trabalho.
Mas estou a entrar num projecto com um jovem chamado Elcídio que se calhar vou divulgar dentro de alguns meses. A ideia é fazer uma série de actuações no verão. Muitos eventos.
Antes de conhecer a Mingas, para ir actuar em lugares como Matola, tinha que ir de chapa e para fazer isso com o meu material era complicado. Mas a Mingas aconselhou-me a passar a exigir condições mínimas, baseando-se na história da sua própria carreira, e até disse-me que as pessoas que me solicitarem não vão recuar por isso.
E passei a fazer isso. De facto não mudou muito. Mas mesmo assim, não me lembro de ter deixado de cantar só porque as pessoas não tem como me pagar. Apenas exijo respeito pelo que faço. Há pessoas que até me pagam depois do evento, e o faço com alegria desde que seja respeitado.
Quanto à músicas, tenho muitas gravadas. Agora estou na MLG o estúdio do Dodge e Yoyo. Não estou exactamente com eles, mas apadrinham-me e respeitam aquilo que faço. O que me preocupa agora é que se tem feito muitas músicas descartáveis e eu não quero entrar nisso. Quero fazer música que tem que marcar a vida de alguém.
Venho gravando alguns temas, até que fiz uma que esta a fazer sucesso nos Estados Unidos da América e na África do Sul, uma vez que é em inglês, o título é “Are will never know”.
Fico feliz quando recebo mensagens telefónicas, por e-mail ou mesmo pelo facebook, de pessoas comentando sobre o efeito das minhas músicas na vida delas. Algumas dizem-me que colocam a minha música quando estão com a namorada, uns quando tem problemas conjugais e etc.
Algumas pessoas pedem para gravar mais, mas uma maioria também exige-me mais versões da mesma música. Mas como disse antes, o factor escola tem influenciado muito para a falta de tempo. É preciso muito ensaio e principalmente porque eu não faço playback. E toco e canto ao vivo. Mas o mais complicado é fazer a instrumental, todos acordes com a guitarra para depois gravar ao lado e mais tarde cantar ao vivo.
Há muito stress na gravação de uma música ao vivo, porque diferentemente de uma instrumental, na música ao vivo se falhas tem que começar tudo de novo.
Mas agora pretendo ir a Associação dos Músicos Moçambicanos, onde posso gravar sem dificuldades e em condições que sempre almejei por que são adequadas ao estilo de música que faço. Som e voz ao vivo. Pretendo fazer um álbum acústico.

Então já tem em vista o lançamento de um álbum…

- Tenho sim. Teria lançado no ano passado, mas por causa de muitas correrias, acabei não conseguindo. Mas já tenho todas as músicas gravadas, falta a masterização e depois entrego o álbum acústico. Isso não é um processo fácil, mas espero concluir brevemente.

Já lhe ouvi várias vezes a interpretar, músicas do James Blund, Mingas, para além de tocar e cantar e muito bem as suas próprias inspirações. Serão esses cantores as suas influências musicais?

- Na verdade toda música que não seja agressiva, que não fazem-nos crescer, me influência.
Falando particularmente dos artistas, tenho esses que gosto, mas não são influências. Gosto muito de ouvir música do Mister Bow, Tabasily, Zico e Dj Ardiles no que diz respeito aos jovens cantores. Ah! Gosto muito da Gabriela também, mas quando ela faz o estilo de música soul. Aos outros jovens não compactuo com o que fazem.
Mas nos últimos tempos tenho me deixado levar pela música de um cantor norte-americano, que faz um rock pop, que faz música mais ou menos como James Blund.
Em geral, tenho sido influenciado por toda a música de qualidade em termos de mensagem. A propósito, gosto muito do Doppaz, acho que é um dos melhores músicos dos jovens, se não o melhor, a colocar as músicas e as mensagens bem trabalhadas. Ele atinge as faixas etárias que muitos artistas não conseguem alcançar. O estilo dele se iguala ao meu.

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